Aquele era o seu pior inimigo. O mais cruel, o mais cínico, o mais impiedoso. Um inimigo que falava a verdade. Sempre. Sempre a verdade. Toda aquela verdade que Isabel conhecia muito bem e que nunca abandonava.
Ainda com a escova de cabelo na mão, Isabel não podia deixar de encará-lo. Lá estava ele, encarando a garota de volta, com os próprios olhos da menina. De um lado, eles estavam molhados. Do outro, refletiam-se gelados, vítreos, sem compaixão.
- Feia…
Isabel sufocou um soluço.
- Gorda…
[…]
Os lábios de Isabel apertaram-se, molhados, sem palavras. Aquela garota, que sempre tinha resposta para tudo, sempre uma gozação na hora certa, uma tirada de gênio que deixava qualquer provocador sem graça, não sabia o que dizer quando seu grande inimigo apontava sadicamente cada ponto fraco que havia para apontar…
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A marca de uma lágrima (Pedro Bandeira)
(Source: libele)